Por Anderson Andreata e Sandra Narita
Eles vêm de vários países da América Latina. Chegam a Foz do Iguaçu com um misto de ansiedade e expectativa, trazendo um pouco de seus costumes, sotaques, histórias e tradições. E quando retornam às suas cidades de origem ou fazem contato com as pessoas de lá, alguns estudantes aproveitam para divulgar a Universidade junto aos seus conterrâneos com o objetivo de atrair novos candidatos para participar dos processos seletivos da UNILA, que são de responsabilidade dos Ministérios da Educação de seus países.
E não é difícil encontrar entre os estudantes estrangeiros aqueles que apresentam uma maneira criativa de se dedicar a esse trabalho de divulgação. A estudante argentina de Ciência Política e Sociologia, Maria Jose Haro, teve a iniciativa de voltar à escola onde estudou para conversar com todos os interessados sobre as características da Universidade e o cotidiano dos alunos. Depois ampliou essa ação para mais três escolas da sua região e também na Universidad Nacional de Tucumã. Maria não foi pioneira no grupo de argentinos na UNILA. Antes, sua irmã tinha ingressado na primeira turma, em 2010. Segundo ela, a opinião da irmã foi fundamental para a sua decisão e agora quer incentivar mais argentinos a seguir os passos dados pelas duas.
“Ainda somos poucos argentinos aqui na UNILA e falta uma pluralidade regional, mesmo porque a seleção no nosso país é descentralizada, sob a responsabilidade de cada província. Mas já fiz contato com o Ministério da Educação de Tucumã e fui informada de que já há cerca de 30 candidatos inscritos. Espero que mais argentinos da nossa região possam vir para cá e que a seleção contemple também estudantes do interior”, diz Maria.
A empolgação dela é tão grande que se colocou à disposição do Ministério para fazer uma reunião com os futuros estudantes assim que o resultado da seleção for divulgado. “Meu objetivo é dar informações mais precisas sobre como chegar a Foz do Iguaçu e sobre o que vão encontrar na Universidade, tudo para facilitar a vinda deles nesse difícil momento de tomada de decisões”.
Para divulgar a UNILA em seu país, a uruguaia Besna Rodriguez, aluna de Ciência Política e Sociologia, costuma compartilhar informações nas redes sociais com estudantes da Universidad de la República, onde ela cursava Comunicação Social antes de vir para Foz do Iguaçu. Besna também conta com o apoio de amigos para divulgar informações sobre prazo de inscrições e condições de acesso, em cartazes espalhados pela universidade. “Queremos auxiliar na divulgação para que venham mais uruguaios em 2012. Houve um aumento considerável entre a primeira e a segunda seleção e agora já somos 58 estudantes representando o nosso país”, diz.
Ela conta que quando chegou, no início de 2011, o grupo veterano de uruguaios fez uma reunião com os novos ingressantes, momento em que apresentaram todas as informações úteis sobre a UNILA. Agora Besna pensa em retribuir essa iniciativa no momento da chegada dos novos estudantes de seu país. “Estamos procurando ajudar os interessados até mesmo antes de suas vindas. Sempre procuramos informar sobre as alternativas para chegar à cidade de Foz, a documentação necessária, tudo para aliviar a ansiedade de quem está se preparando para mudar de país”.
Besna afirma que não foi a UNILA que a escolheu, mas sim o governo do seu país. “Sou representante do Uruguai e me sinto como se fosse uma embaixadora. Por isso acredito que tenho a responsabilidade de divulgar a UNILA para que os uruguaios tenham conhecimento e possam usufruir de tudo o que eu tenho acesso aqui”, diz ela.
Os estudantes paraguaios de Relações Internacionais, Pablo Orué e Nadia Ruiz, também contribuem para a divulgação da UNILA no seu país. Por conta própria, Pablo imprimiu o edital de seleção publicado no site do Ministério da Educação do Paraguai e deixou algumas cópias nas Faculdades Politécnica e de Filosofia da Universidad Nacional de Asunción. “Estamos perto da fronteira e a minha experiência na UNILA - de estar fora de casa e de conviver com colegas e professores da América Latina - pode interessar a muitos paraguaios”, diz.
Nádia Ruiz também aproveita a ida à sua cidade natal, San Lorenzo, próximo a Assunção, para deixar folders da UNILA no colégio onde estudou e também em outras escolas da região. Além disso, ela divulga a Universidade por meio das redes sociais. “Eu valorizo muito minha experiência na UNILA, que tem sido incrível. E acredito que outras pessoas do meu país também possam se interessar pela Universidade. No Paraguai, o acesso ao ensino superior é muito difícil, além de custar muito caro manter os estudos”, diz.
Outro paraguaio que ajuda na divulgação da UNILA é o estudante de Ciência Política e Sociologia Rafael Portillo. Ele aproveita a ida a escolas técnicas em Minga Guasú – por conta do projeto de extensão Os contos, los cuentos, mombe'ura navegam por el Alto do Paraná -, para divulgar a UNILA na zona rural. “Há interesse de muita gente em saber sobre a Universidade nessas escolas, principalmente sobre o processo de seleção. Eu tiro as dúvidas e falo sobre a questão da integração. Divulgo todos os cursos, mas principalmente o de Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar, porque a economia do Paraguai é baseada na agropecuária e é importante ter o pessoal do campo na Universidade”, conta ele.
Em fevereiro, novos alunos iniciarão suas jornadas na UNILA. E a vinda deles será acompanhada de muitas expectativas. “Queremos sobretudo que os futuros estudantes que ingressarem nesse ano de 2012, de vários países da América Latina, venham comprometidos de fato com o projeto da UNILA”, diz a argentina Maria Jose Haro. E a uruguaia Besna complementa: “E que venham com o compromisso de se dedicarem aos estudos, pois a Universidade dá todas as condições para isso”.
Para Maria, a UNILA dá a oportunidade para que os discentes aprendam integração além de uma perspectiva teórica, pois proporciona a convivência com estudantes de várias nacionalidades. “Estou muito ansiosa com a chegada de representantes de outros países a partir desse ano, pois serão muitas culturas diferentes vivenciando a integração no mesmo espaço”, conta. Besna também acredita que a experiência será enriquecedora, mas, segundo ela, já não é mais possível diferenciar as distintas nacionalidades no dia a dia da Universidade. “A gente acaba percebendo que o nível de integração ultrapassa as fronteiras dos países. Hoje eu não vejo mais nacionalidades diferentes, mas sim diferentes pessoas num mesmo local”, diz.
A convivência com alunos de diversas nacionalidades, além da integração, pode gerar uma rede de contatos internacionais. “O melhor de tudo isso são os contatos que realizamos durante esses anos de estudos. Se um dia eu precisar de uma informação da Colômbia ou do Brasil, por exemplo, é claro que vou consultar um companheiro da UNILA, com quem eu tenha estudado. Isso vai criar uma rede solidária que vai permitir trabalharmos de forma coletiva para a troca de informações sobre o continente, e vai mostrar de fato o que é integração”, diz Besna.
Após o término da graduação, a ideia é que os alunos retornem a seus países e possam aplicar os conhecimentos adquiridos na Universidade. “Acredito que vamos voltar e fazer uma diferença grande nos nossos países com tudo o que podemos aprender sobre a América Latina, seja nas atividades de estudos, nas pesquisas e nos projetos de extensão, cujos resultados poderemos replicar em nossos países”, diz Besna. Maria, no entanto, não descarta a ideia de investir na carreira acadêmica e depois voltar à UNILA na condição de docente. “É uma forma de poder continuar participando do projeto, mas com outra visão”, acredita.
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